terça-feira, 22 de outubro de 2013

Panis et circensis

Nesta edição da coluna Gastronomia, o assunto é pão, mas não circo! Apresento-lhes um pão, que na verdade já é conhecido: o pão italiano. A receita é italiana MESMO, do ciabatta (lê-se tiabata) - o pão que se encontra em qualquer restaurante pela Itália. É também o tipo de pão que os europeus consideram o legitimo pão. (Alguns chegam a dizer que o nosso pão “francês” – que não tem nada de francês, a não ser o nome – não é pão). Para eles, o pão é tão importante na refeição, que conheci muitos que diziam: “se não tem pão, não como”. Todas as refeições são acompanhadas pelo pão.


A primeira receita de pão da história foi feita a mais de 6 mil anos e  é basicamente a mesma de hoje, feita  através do cozimento de farinha, água e sal. A fermentação, naquela época era espontânea, ou seja, o ar - que contém uma enorme quantidade de microrganismos conhecidos como esporos de fungo de levedura (Saccharomyces cerevisiae) - encontram na massa de pão condições ideais para se alimentar do amido da farinha. É exatamente o mesmo processo que ocorre com a cerveja, onde os microrganismos transformam o amido em gás carbônico e álcool. A diferença é que a cerveja leva lúpulo na receita e as bolhas de gás carbônico e o álcool da massa do pão escapam quando assado, mas matém o efeito poroso e macio criado pelo CO2.
Massudo e com casca crocante é o tipo de pão que se. Basta um pouco de azeite para acompanhar e pronto. Não precisa de muito recheio.



O título dessa matéria não tem nada a ver com o conteúdo, mas como história e comida sempre estiveram juntas e o momento é propício, o tema “pão” me fez lembrar desse acontecimento histórico. Mais ou menos 100 anos a.C na Roma antiga o governo criou a política do “pão e circo” ou panis et cirsensis. A idéia era fornecer comida e diversão ao povo, para diminuir a insatisfação popular contra o próprio governo. Em 2013 temos bolsa familia e estádios de futebol. Coincidência!?

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Flores que encantam a gastronomia.


Primavera chegou, e minha fome não passou!
Depois de comer tanto no inverno - estação climática propícia para isso – ainda continuo com fome! Ou será que aumentei minha capacidade de armazenamento? Até porque não sou gordo, acho que tenho o estômago alto! Mas nesse inverno ele ficou um pouco mais alto que de costume.

A Primavera é a estação que mais encanta, as ruas e os jardins ficam mais belos e coloridos e o principal: é a estação que antecede o Verão. Ah o Verão!!!
Particularmente, eu prefiro o inverno. No frio, se come melhor, se bebe melhor, se veste melhor e se dorme melhor. O único problema é sair da cama. O Verão é bacana, sim, mas pra mim só tem sentido quando estou na praia.

Brincadeiras a parte, acho muito interessante como modificamos nossa rotina em função do clima, principalmente as mudanças relacionadas à gastronomia. Claro que hoje com as estufas, pode-se produzir quase tudo o ano todo, mas frutas, legumes e verduras da estação são melhores, por serem mais frescas, saudáveis, saborosas e também mais baratas.

Como as flores são o símbolo da Primavera, resolvi falar sobre as flores comestíveis. Muitos restaurantes utilizam as flores como um simples decorativo do prato, mas como aprendemos em gastronomia: tudo que está no prato pode/deve ser comido.
As mais usadas são: flor de capuchinha, borragem, amor perfeito, rosa e abóbora. Essa última, aliás, come-se o legume e a flor. Descobri uma receita enquanto decidia o tema e o prato para essa matéria.  Foi bem simples, assim como a receita:
- Ô mãe, onde tem flor de abóbora?
-Não sei, tem que procurar alguma plantação! Eu fazia isso antigamente, empanava com ovo e farinha e fritava.
-Hum, tá bom. Testei e aprovei!