quarta-feira, 26 de junho de 2013

Prazeres da carne II


Eu quero rabo pra comer!

Incrível como existem pratos ou ingredientes que as pessoas amam ou odeiam.  A lista cresce em questão de minutos: moela, língua, estômago, miúdos, coentro, jiló, etc, etc e etc. Faça um teste. Pergunte pra pessoa ao seu lado o que ela não come nem com reza, ou sem fazer cara feia!
Sou da seguinte frase: “Experimente o que puder, e se dê a oportunidade de gostar”.

É claro que, às vezes, o sabor não fica bom mesmo, pois qualquer coisa pode não sair bem feita e não agradar. Um arroz com muito sal, uma um pudim com forte sabor de ovo, a carne errada pro churrasco que fica extremamente dura...
Então chega de preconceito e dê uma chance ao “novo”!

Antigamente, em Roma, mais precisamente no antigo matadouro localizado no Monte Testaccio - um bairro romano que ainda mantem viva certas tradições - os cortes mais nobres do boi eram vendidos aos ricos, e a sobra ou o “quinto quarto” (rabo, bucho, coração e outros miúdos) como chamavam, era distribuído ao pessoal que trabalhava no matadouro como forma de pagamento. Comida forte para enfrentar o frio, além de ser muito, mas muito mais saboroso que os cortes nobres e também muito mais nutritivos: os miúdos por conterem mais vitaminas, e os cortes com osso, como o rabo que contém colágeno.
Nesse bairro, o Testaccio, surgiu um das receitas mais famosas de Roma, a coda alla vaccinara, (coda-cauda ou rabo e vaccinara- carne de vaca).
Tive a oportunidade de experimentar uma típica coda alla vaccinara, direto da fonte, em um restaurante de 1887, localizado em uma rua cheia de bares e restaurantes no Testaccio. Na receita vai, entre outros ingredientes: tomate macerado, pignoli e cacau em pó. E apesar de estar na região do antigo matadouro, comendo rabo de vaca, o prato não foi barato, não!
Hoje em dia, sabemos que não existe carne de primeira ou de segunda. Existe boi mau cuidado e mal alimentado. A fraldinha é outro exemplo disso. Antes considerado um corte menos nobre, hoje briga com as carnes mais famosas nas churrascarias.
E claro, cada corte deve ser específico para cada receita. É como cozinhar uma picanha por horas em fogo baixo, ou assar um coxão duro na churrasqueira. A culpa não é da carne, e sim do modo de preparo.


O Brasil conheceu a rabada através dos portugueses, que comiam um ensopado de rabo, e aqui foi adaptado com temperos dos índios e africanos.
A receita mais famosa é a rabada com polenta, que é um espetáculo. Mas na foto, vai outra sugestão de rabada: cozida no vinho tinto servida com talharim caseiro em molho branco.
A carne deve ser selada antes e o cozimento lento, em fogo baixo, até a carne começar a soltar do osso.

Desafio quem não gosta a experimentar. O sabor é surpreendente!

sábado, 1 de junho de 2013

Ervas

As ervas aromáticas transformam positivamente os alimentos, e algumas combinações parecem ter nascido para  serem utilizadas: manjericão com tomate, hortelã com carneiro, salvia e alecrim com batatas ou carne suína, orégano com queijos, etc. Não que as combinações devem ser obrigatoriamente usadas, mas o que excita na cozinha é o fato de haver infinitas possibilidades de novas experiências bem sucedidas com sabores e aromas!